Até alguns anos era preciso muita incompetência e bastante tempo para quebrar uma empresa. Hoje, basta apenas um pouco de distração. Uma das maiores ameaças nestes dias são as novas tecnologias. A escola suiça de negócios IMB em Lausanne, considerada a melhor do mundo em cursos abertos de educação executiva pelo Financial Times, garante que 40% das empresas atuais devem desaparecer nos próximos anos por conta das tecnologias disruptivas que vão criar novos modelos de negócio.

Bem, não era preciso ir até a Suiça para descobrir isso. A Uber está mudando o transporte urbano no mundo inteiro e no Brasil já existe uma forte reação de taxistas e frotistas ao novo modelo. O WhatsApp e o Skype fizeram um rombo nas finanças das empresas de telefonia. A Amazon ajudou a fechar livrarias em centenas de lugares e a Airbnb oferece a seus hóspedes lugares surpreendentes como a casa-avião para quem não quer mais ficar num hotel pão-com-manteiga sem graça.

Até as montadoras de automóvel andam assustadas. E com razão.      O carro elétrico não foi criado por elas. O acessório mais útil para enfrentar o trânsito das cidades, o Waze, foi feito por uma startup que hoje pertence ao Google. O veículo sem motorista não nasceu em Detroit mas em Mountain View. Tentando correr atrás do prejuízo, este mês a Ford, GM e a BMW lançaram programas que oferecem aos compradores dos seus modelos a oportunidade de alugar os veículos para outras pessoas quando eles não estiverem sendo usados. Assim, seus proprietários ganham uma nova fonte de renda. Nada como aprender com o inimigo, não é mesmo?

A moderna tecnologia não está criando só novos produtos e serviços mas principalmente novos modelos de negócio que as empresas tradicionais nem sonhavam. Aliás, sonhar, nunca foi tão importante hoje para acordar vivo amanhã.

 

Se você tem uma empresa e ela ainda não quebrou, pode ser apenas sorte

Coluna de Ruy Lindenberg criada originalmente para Reclame no Rádio, na Rádio Estadão.